março 30, 2016

Mãe a dobrar.

Ontem trouxe a Maria para casa. 
O Pedro e a Leonor foram-nos buscar ao hospital.
Foi a primeira tarde que passei em casa com as 2.

A Leonor foi numa excitação para ver a mana, quer dar-lhe muitos miminhos...ainda não sabe é dosear a "força" dos mimos! Voltei a deitá-la, e isso soube-me pela vida!

Esta tarde foi caótica. Eu muito cansada, a Leonor a pedir-me toda a atenção que lhe pudesse dar. Acho que ainda não se apercebeu de que eu também terei de dar atenção à mana.

A Maria come e dorme. É uma bebé muito calma!

Agora é criar novas rotinas e tudo irá correr bem!

Eu, 3 dias depois do parto, sinto-me muito bem! Não tem comparação com o parto da Leonor. Apesar de ter sido também um parto normal, desta vez não senti qualquer dor. Levei a epidural logo muito cedo, e tive um parto sem dor! Ainda por cima já consigo vestir um 34 outra vez!

Beijinhos

março 27, 2016

Domingo de Páscoa.

A Maria nasceu hoje. 
Domingo de Páscoa.

Não se quis ficar atrás da irmã que nasceu num feriado católico e nasceu num dia ainda mais importante para a igreja católica.

Jesus ressuscitou. A minha filha nasceu. Perfeita e espertinha.
Não sou capaz de me lembrar de um milagre maior que este: dar à luz uma criança saudável.


Tenho de repensar as minhas crenças.

Eu estou óptima. Tive um parto sem dor. Demorado mas sem dor.


Beijinhos 

março 25, 2016

Sábado de Aleluia.

Amanhã será o dia em que vou conhecer a minha filha.
Vão induzir-me o parto, que será um parto normal.
Bem arrependida estou de ter insistido tanto para que fosse cesariana da outra vez. Ainda bem que não foi! 

O que me está a custar mais é o facto de ter de deixar a Leonor. Claro que ela ficará bem entregue, e com o tio por perto o fim de semana dela será uma animação! 


A partir de amanhã terei 2 filhas que me vão dar uma trabalheira, mas foi uma escolha nossa, e eu espero que a Maria venha como a mana: reguila!

Amanhã passarei por tudo quanto passei no parto da Leonor, que também foi induzido. As minhas filhas nunca querem sair pelo "próprio pé". Mas assim até fica tudo mais controlado. Se bem que da Leonor fui internada para indução num dia e ela acabou por nascer quando quis...que ela já era muito senhora do seu nariz na altura!

Portanto desejem-me sorte!

Hoje vou passar o dia pertinho da Leonor, pois a partir de amanhã nada mais será igual para ela!


Beijinhos 

março 23, 2016

Mulheres

Não sou feminista. Nunca fui. Não pretendo a igualdade entre géneros. Até porque acho isso perigoso e impossível, dada as diferenças entre a vida de um elemento do sexo feminino e a vida de um elemento do sexo masculino. Para começar, não me apetece nada ir para as obras, nem andar a pendurar quadros cá em casa e parece-me que um homem também não tenha vontade de ter filhos (e mesmo que tivesse, não me parece que essa vontade chegasse para transformar o seu corpo). Existem várias coisas em que nos tornamos diferentes (homem e mulher, entenda-se), e claro que eu sei que isto é reduzir uma causa (a das feministas) a nada. Mas parece-me de um fundamentalismo enorme querer reduzir estas diferenças à igualdade.

Ouço muitas vezes, porque deixei a minha profissão de lado para ficar a cuidar da minha criança, que estou a contribuir para a desigualdade. Então, suponho, que ao fim de 15 dias em casa com um bebé a mãe tenha de o entregar aos cuidados de pessoas externas porque, assim como o pai, tem de voltar ao trabalho. Fui despedida por estar grávida. Nem assim me pareceu adequado lutar por uma igualdade em que não acredito. Claro que achei das coisas mais estúpidas que se pode fazer a alguém, que está a contribuir para a natalidade do país, e uma forma de descriminação para com as mulheres. Mas também existe formas de descriminação contra os homens...Somos diferentes. Mesmo uma mãe que trabalha mete baixa quando um filho fica doente. Não sei se isto é um pré-conceito meu, e também sei que há homens que assumem a posição de pai e mãe quando assim são obrigados. Tenho um amigo que assumiu a filha sozinho, uma vez que a mãe não a quis. Mas isto é uma excepção à regra. A mãe faz falta (o pai também, claro), mas nos primeiros tempos de vida, são os cuidados da mãe de que o bebé mais precisa.

Talvez por ser psicóloga (clínica, da área psicodinâmica) acredito que a ausência da mãe, nos primeiros meses de vida da criança , traz diversos problemas de desenvolvimento no futuro dessa mesma criança.

Claro que concordo com outras premissas do feminismo, mas isso deve-se sobretudo a ser uma cidadã que acredita nos direitos humanos. Nunca fui de extremismos...nem penso que a mulher é menos que o homem, nem que o homem é menos que a mulher. E até penso que isto de feminismo é o assumir que somos inferiores. Eu não fui educada assim. Eu fui educada para gostar de ser mulher. E gosto. Penso que é cansativo sê-lo, mais cansativo do que ser homem. Mas nunca ninguém me desacreditou ou me tratou mal por ser mulher. Talvez haja quem tenha a experiência contrária. 

Não concordo com o machismo.
Não concordo com o feminismo.


Acho que quem é homem deve gostar de sê-lo, sempre tratando as mulheres com respeito.
Acho que quem é mulher deve gostar de sê-lo, sempre tratando os homens com respeito.

Agora isto do respeito vem muito da nossa educação. 

Beijinhos

março 22, 2016

Fé.

Não sei se Deus existe. Acho que ninguém conseguirá ter 100% de certeza. Uns têm fé e outros não. Para mim resume-se a isto. E Deus toma as mais diversas formas consoante a cultura e a religião. 

Há uma coisa que eu sei: se Deus existir (e esta hipótese é tão válida como a contrária), não quer que nada do que está a acontecer no mundo aconteça. Não quer que os interesses económicos falem mais alto que o valor das vidas das pessoas. Tenho quase a certeza, sem nunca ter falado com Ele, de que não quer estes atentados horríveis que matam pessoas inocentes. Se acho que Ele nem quer a morte dos culpados, quanto mais dos inocentes...

Deus quer ver a paz no mundo. E também não me venham com a história de que quem provoca o mal é o diabo. Todos temos Deus e o diabo dentro de nós. Todos somos capazes de fazer mal a alguém. Até digo mais, todos somos capazes de matar. Façam lá mal a uma das minhas filhas a ver se não sou capaz de fazer mal a alguém...

Existem pessoas (e digo pessoas, e não religiões, porque é mesmo pessoas...) extremistas. Existem pessoas que apanham cada lavagem cerebral que nunca mais se recompõem. Existem pessoas, que por mais que o seu Deus as chame e lhe mostre o caminho, optam sempre pelo diabo.

Eu não acredito em Deus. É uma questão de crença (quase filosófica). Sei que sou a responsável por toda e qualquer decisão que tome. Agora respeito toda a gente que acredita. Nas mais diversas formas. 

A minha filha não dorme bem "porque Deus a mandou assim". E se a minha filha dormisse mal (o que dentro de uma semana pode acontecer), não teria sido o diabo com toda a certeza.

Existem coisas (acontecimentos) que passam a nossa capacidade de percepção. E as pessoas têm de se agarrar a qualquer coisa...umas agarram-se a Deus, outras não sei bem a quê. 

Ainda ontem, extremamente próximo de mim, tanto que me doeu, uma pessoa foi operada a um tumor no cérebro. Não foi o diabo que o pôs lá. E também não foi Deus que fez com que a operação tivesse corrido extremamente bem. Foram os médicos que operaram essa pessoa. Eu acredito nas pessoas. E não me critiquem por esta crença!

Eu tenho fé nas pessoas e sei que há pessoas de bem. Que seriam incapazes de magoar outra pessoa. Seja por profissão, seja por educação.

Nos atentados que têm acontecido, não é o diabo, muito menos será Deus, que lhes diz para se detonarem e matarem pessoas inocentes. É a maldade. Até arriscaria que é o facto de nunca se terem sentido amados e terem de recorrer ao amor extremo de um Deus mal interpretado.

É só uma reflexão. De alguém que está prestes a colocar uma criança no mundo. Neste mundo mau e sem valores. Que não dá valor à vida das pessoas. Será difícil educar pessoas para o bem, quando se sabe que o mundo está cheio de maldade. Mas eu vou tentar na mesma. De outra maneira não vale a pena.

Beijinhos 

Amor







Algumas pessoas olham para mim como se fosse maluca.
 Como se ter optado por outra filha já fosse um acto de loucura.
Mas não foi. 

Sempre quis muitos filhos. Depois do Avc, quero 4, se me permitirem ter. A adaptação a esta realidade ainda dói. Mas doía muito mais se não pudesse ter nenhum. E para quem acha que isso dá muito trabalho, não se preocupem...nunca as hei-de deixar em vossa casa! 

Óbvio que criar um filho dá trabalho. Óbvio que custa dinheiro. Há tanta coisa óbvia que até me chateia estarem sempre a falar nisso.

Eu prefiro o menos óbvio: o amor. Quem tem um filho tem de pensar se vai conseguir dar-lhe amor. Se conseguirá, na lufa-lufa que são os dias de hoje, dar-lhe atenção. Se conseguirá ir assistir a um treino de futebol ou a uma peça de teatro na escola.

Claro que o dinheiro faz falta...faz falta a toda a gente. Mas não é isso que me preocupa. Quem segue este blog sabe que há uma preocupação proeminente na minha cabeça: a atenção que conseguirei dar às 2. Nunca deixarei que falte nada às minhas filhas, e se para isso tiver de começar a trabalhar, então começarei sem qualquer tipo de problemas. As crianças que têm mães trabalhadoras também podem (e devem) receber amor destas.

Há muitas formas de mostrar o amor que se tem a um filho. Os pais (maioritariamente homens) que vão para o estrangeiro, ganhar dinheiro para sustentar os filhos, têm um amor infinito por eles. Por isso é que vão. Por isso é que largam tudo, e vão. E há outros...outros pais que só têm dinheiro. Não conseguem ter mais nada. Portanto isso de ter dinheiro para ter filhos tem muito que se lhe diga. Quantos filhos de juízes ou médicos ou empresários (não estou a generalizar, atenção) não trocavam o seu Iphone/Ipad/Mac por ter o pai a assistir com eles um Benfica-Belenenses, por exemplo?

E reparem que não estou a defender o amor e uma cabana, que sei que na cabana também não há as condições para dar tudo o que uma criança precisa. Óbvio que tem de haver dinheiro para a comida, para a educação (cada vez mais cara), para comprar o bilhete para o tal jogo Benfica-Belenenses.

O que quero dizer com isto, é que há coisas que não se compram.

Beijinhos

março 20, 2016

39 semanas.

Acabada de chegar às 39 semanas.
Cansada de estar grávida.
Cansada das dores nos rins.
Cansada de contracções.
Cansada mas consciente que estou a fazer o melhor para a Maria.
Aguenta Inês, aguenta!


Beijinhos

Olhos de Anjo




Estava só. Estava sempre só. O menino com os olhos mais doces e cheios de paz do mundo não arranjava amor. Procurava, procurava, e não encontrava.

A sua vida não tinha sido fácil, mas ele não era de baixar os braços! Isso é que não! Toda a vida dele tinha sido uma luta. Isso tornava-o mais forte. A cada vez que tropeçava em alguma coisa, fazia questão de se levantar mais forte. O pai partira havia muito tempo. A mãe, amargurada pelas contrariedades da vida, não conseguia dar atenção a nada. Chorava todo o dia, em busca de algo que lhe desse a esperança de que a vida fosse um dia mais fácil. O menino com olhos de anjo não compreendia como a vida dela se tornara em algo que não valesse a pena viver.

Era o irmão mais velho de três. Os dois mais novos estudavam. Era o menino com olhos de anjo que lhes pagava os estudos, com o dinheiro que fazia com o seu trabalho de 10 horas por dia. Ele tinha deixado de estudar quando o pai partira. Ele não se importava com isso. Sentia que fazia o melhor pelos irmãos, e isso bastava. Quando chegava a casa procurava sempre inteirar-se de como tinha corrido o dia dos irmãos. Tinha assumido o papel do pai, embora o menino com olhos de anjo não se tivesse apercebido disso.

Ao fim do dia saía de casa em busca do que faltava no seu lar: amor. O menino com olhos de anjo vagueava pelas ruas, sozinho. Não tinha pai, a mãe só chorava e ele remexia na vida à procura de um amor que não encontrava. Já estava resignado. Não encontraria para si. Mas tinha obrigação de encontrar para os irmãos. Não podia permitir que a vida dos irmãos fosse uma vida sem amor. Ele sabia que só com amor se leva a vida para frente.

Passaram-se anos...chegou a ir a Espanha...não importava se o amor viesse noutra língua. Amor é sempre amor. Em Portugal ou na China! Apesar dos seus esforços, o amor que ele queria mostrar aos irmãos, nunca apareceu.

Um dia, cansado, cheio de fome, parou num cafézinho lá do bairro para comer. Comeu um bitoque, o seu prato favorito. E qual não foi o seu espanto quando dentro do prato encontrara o que tinha procurado toda a vida: o amor!

Porque os anjos existem, e para eles há sempre amor.

Beijinhos

março 19, 2016

Pai Pêro.




Há qualquer coisa de especial neste dia. Existem pessoas que dizem que dia do pai é todos os dias. Até pode ser. Mas é sempre bom haver um dia em que celebramos mais acerrimamente o pai. Gosto do facto de comprar prendas e sobretudo de ver a cara do Pedro quando a Leonor lhas vai entregar.

És um lamechas, ficas a saber. Por trás dessa cara de homem há uma sensibilidade enorme. Mas não te aflijas...é assim que se quer um homem. Porque os homens também se emocionam!

Este ano não tive muita paciência para ir comprar qualquer coisa, porque já estou a abarrotar pelas costuras, mas encomendei-te um livro (espero que tenhas reparado na t-shirt vermelha que fiz questão de escolher para o teu boneco, porque o verde é feio!). Mas em menos de uma semana serás pai outra vez, e isso é a maior prenda que te posso dar!

Há um pai fantástico neste homem que descobri num jantar a que não queria ir.
As minhas filhas têm a sorte de ter um pai assim, mas eu tenho mérito por ter sabido escolher.
De uma devoção enorme, é com muito orgulho que te vejo ser o pai das minhas filhas...que te vejo melhorar de dia para dia. E pensar que este amor podia nunca ter acontecido...mas aconteceu, e eu estou grata. Grata a ti por me teres dado 2 meninas. Grata a mim por te ter escolhido.

Dizem que no amor são as almas que se reconhecem. Não podiam haver 2 mais diferentes. Tu és o oposto de mim, mas isso só quer dizer que as minhas filhas vão sair a ganhar. Espero ter a tua alma enrolada na minha todas as noites. 

Espero e sei que mudarás o mundo por elas se isso for preciso, e isso dá-me esperança.

Não ter um pai para celebrar o dia de hoje é tremendamente chato. Mas eu já não sou criança. Já não tenho de ver, na escola, todos os meninos com pai...e há tantos! Ser pai é um papel que não se passa a ninguém. Um papel de tanta importância. E há tantos que esquecem. Tantos que não se preocupam. Tantos que não querem saber dos filhos sem perceberem a essência do que é ser pai...

Não é Dia do Pai para esses. É sim para aqueles que se desdobram para que nada falte aos filhos, daqueles que sabem o que é dar mimo e receber sorrisos.

Continuo a ser filha do meu pai embora ele já não exista. É por isso dedico todo o tempo deste dia a ti, Pedro. Entre uma contração é uma dor nos rins...estás prestes a ser pai outra vez, e eu espero que sejas tão bom pai para a Maria como estás a ser para a Leonor.

Beijinhos

março 18, 2016

Esperança.

Toda a gente que está à espera de um filho tem esperança.
Esperança que o parto corra bem, que o filho venha com saúde, que o mundo se torne num sítio melhor, que a humanidade volte para as pessoas que a perderam.
Têm esperança que o filho seja um bom filho, seja inteligente, seja curioso, seja perspicaz, seja atinado. 
Esperança que não se meta na droga, que saiba escolher as companhias, que seja um profissional de sucesso.


Ninguém tem um filho e espera que o mundo piore.
Ninguém anda a carregar um filho durante 9 meses para que ele seja criminoso.
Mesmo aquelas pessoas que não pensam muito nisso, que acham que nada do que os filhos fazem os implica a eles...mesmo esses têm esperança num futuro bom para os filhos.

Eu, que acho que tudo o que a minha filha faz me implica a mim e à forma como a trato. 
Eu, que me martirizo por não ter comido tanta sopa quanta devia nesta gravidez.
Eu, que não como um pão com chouriço (apesar de me apetecer muito!!!), com medo de apanhar toxoplasmose.
Eu, que sou como todas as mães, que querem que os filhos venham perfeitíssimos fisicamente, também tenho esperança que cognitivamente venha bem!

Todos os pais são as pessoas com mais esperança do mundo!

Beijinhos

março 17, 2016

Deixem as crianças brincar!

(Este texto reflecte apenas a minha opinião.)

Porque será que os pais (maioritariamente as mães) têm tanto prazer em ver os seus filhos escrever antes da idade concebida para a aprendizagem da escrita?! Imagino sempre crianças que, em vez de estarem a brincar, estão horas a aprender a escrever.

Aqui há dias passeava-me pelo Instagram e reparei numa mãe toda orgulhosa da sua filha de 4 anos que já sabia escrever o seu nome.  Li os comentários e havia lá uma que até perguntava se a filha não seria sobredotada!

Sei que existem jardins de infância que fazem questão em ensinar as crianças a escrever. Há pouco tempo até me disseram que deveria colocar a minha filha no colégio X e assim ela entraria na escola logo a "dar avanço aos outros meninos". Será que as pessoas não pensam um bocadinho antes de falar?! Fomentar assim a competição e o "ser melhor que os colegas"...Psicologias à parte, e a maioria dos psicólogos recomenda o excesso de brincadeira até à entrada na escola primária, isto é errado sobre tantos níveis!

Deixem as crianças brincar!!!!!!!!!!
Só a partir dos 6 anos é que as crianças passam a ter competências neurológicas para aprender as regras que a leitura e a escrita têm, já pensaram nisso? O pediatra, psicólogo, amigo não vos alerta para o tipo de problemas que podem advir de tentar ensinar uma criança a ler e a escrever antes dessa idade? E depois...para que é que querem os vossos filhos a saber escrever? É para mostrar às amigas?!

Colocam sobre as crianças uma pressão enorme, para fazer uma coisa que nem deviam saber fazer em tão tenra idade...

Antes dos 6 anos as crianças devem brincar. Esquecer leituras e escritas e numerações...Brincar!

Beijinhos.

março 16, 2016

Let them play!


Por estes dias, tenho aproveitado ao máximo o tempo com a Leonor.

Hoje fomos até ao parque e estivemos por lá. Há sempre crianças e o espaço é super giro.

Só falta uma semana para a mana nascer!







O pai a fazer de guarda-costas!

Beijinhos
 


Parto: Normal vs Cesariana

Esta é a grande dúvida da maioria das mulheres. Pelo menos daquelas que têm seguro de saúde que lhes permite fazer o parto num hospital privado. Porque no público é sempre parto normal, só em situações especificas fazem cesariana. O que me (nos) leva a pensar em várias coisas.

No meu caso foi à última que optei por seguir o conselho dos médicos e fazer um parto normal, e fazer esse parto no Hospital que me seguia, o Hospital de Santa Maria. E desta vez já estou completamente decidida: parto normal. Mas o meu caso é especial, e havia menos riscos para mim ao fazer um parto normal. Afinal uma cesariana é uma intervenção cirúrgica.  Desta vez, e tendo eu visto todas as vantagens do parto ser normal, não hesitei (a não ser que a Maria me troque as voltas, há sempre essa possibilidade). 

Não é preciso ser médica, nem ter estudado o assunto a fundo, para perceber o porquê das mulheres preferirem uma cesariana. Não há dor. E acreditem, a dor de um parto normal é muita. O pior é a recuperação, mas isso é outra história! Num parto normal também é possível evitar a dor, com a epidural. No meu caso sofri bastante, tendo desesperado na cama do hospital. O que se passou foi que eu fiz a dilatação muito rapidamente, e por mais que dissesse que as dores eram horríveis a enfermeira não acreditou, e demorou a chamar o obstetra. Mas em termos de recuperação e mesmo do que é melhor para um filho, sem dúvida um parto normal. Há menos riscos. E isto é a sério. A dor é que estraga tudo, havendo por isso cada vez mais mulheres a preferir uma cesariana. 

A cesariana oferece mais riscos para mãe e bebé, sendo que para a mãe há um risco maior de infecção, danos na bexiga, intestinos ou vasos sanguíneos e há ainda a possibilidade da formação de tecido fibroso de cicatrização. Para o bebé existe um risco maior de problemas de respiração pós-parto e demoram mais tempo a criar a sua flora intestinal para uma proteção imunitária efetiva. Há ainda uma percentagem maior de doenças e internamentos no primeiro ano do bebé.

Daqui a 1 semana terei a Maria, e quero que seja parto normal, apesar da dor. Claro que já estou a pensar no quanto vou sofrer, é inevitável! Mas penso (e acho que todas as mulheres deveriam pensar) no melhor para a minha filha. Claro que os filhos são filhos, quer nasçam de uma maneira quer nasçam doutra, mas...pensem nisto!

Bem sei que no público são extremistas, e em alguns casos, deixam arrastar o sofrimento do bebé para fazerem um parto normal. Não sei se será mesmo por acharem que é o melhor para mãe e filho ou por uma questão monetária...

Quando há risco para uma das partes, não há nada para hesitar: cesariana. No meu caso, foi a melhor decisão. Claro que se fosse seguida num privado me diriam que a melhor decisão era uma cesariana. Começo a aperceber-me que cada cabeça sua sentença! 

Eu, que não percebo nada disso, fiquei satisfeita com a decisão que os médicos tomaram por mim. Ao fim de 3 dias estava, literalmente, pronta para outra. Se se sofre bastante? É verdade, sofre. Mas ir a um privado, fazer uma cesariana por conveniência, que ainda por cima não respeita a vontade do bebé (pois os médicos antecipam -quase- sempre o parto para não haver o risco da mulher entrar em trabalho de parto), parece-me mal. 

Óbvio que, a uma semana de parir, já me dói tudo. E às vezes, entre uma contracção e outra, ou entre um mal-estar e outro, penso que o melhor seria "despachar" e ter a Maria cá fora quanto antes!


Beijinhos

março 15, 2016

Minha filha....

Tenho-te sentido cada vez menos. A tua jornada escondida do mundo está prestes a acabar. A mãe já disse a toda a gente que está farta de estar grávida, portanto tu já deves ter ouvido. Ainda assim, quero que venhas conhecer-me quando tu quiseres. Se tiver mesmo de ser no domingo de Páscoa não faz mal, ainda que depois de ter 2 filhas a nascer em dias católicos irá justificar a minha incursão pelo mundo religioso. 

O teu mundo está em pulgas para te conhecer! 

Partilhei contigo, durante 9 meses, o meu íntimo e foi no meu corpo que cresceste. Por isso terás sempre em mim esse corpo para onde voltar quando as coisas correrem mal. Ver-me-ás doutra perspectiva, mas não deixo de ser esse corpo a que estiveste ligada (terás no teu umbigo a prova). 

Caramba! 9 meses se passaram, e eu de tanto refilar com a gravidez nem me apercebi do quanto o tempo passa a correr e daqui a menos de 2 semanas vou ter 2 bebés! Vou ter 2 corações a bater fora do meu peito. Tem tanto de bom como de assustador.

Passaram 9 meses em que a mãe cuidou de ti sem te ver. Sem saber como és. Só sei que és minha filha. Agora, enquanto estás aí escondida ouves o ritmo do meu coração e só vives porque ele está a bater.

Não consigo pensar em nada mais intimo que ter um filho a crescer dentro de nós. Não é tudo mau, pois não? Afinal ser mulher é ter essa capacidade, geradora de vida. Isto de estar grávida leva a ter muitos pensamentos filosóficos! 

A mãe está muito ansiosa, mas vai passar mal te tenha nos meus braços! Foi assim com a tua irmã e será assim contigo. Ainda tenho muitas coisas guardadas cá dentro para te dizer, mas digo-tas quando estiveres cá fora!

Beijinhos



março 14, 2016

Salir do Porto

Não conhecia esta praia até vir às Caldas da Rainha fazer o book da Leonor. Como era Verão deu para ir até à praia fazer as fotografias. A praia é, sem dúvida, o meu local preferido pela calma que transmite (e bem que preciso de calma nos dias que correm!!!!). Na altura pensei que aquele local era óptimo para ir com crianças. Pelo espaço, pela pouca movimentação e pelas poças de água que o rio vai deixando, que é óptimo para as crianças brincarem. 

Hoje, peguei na Leonor e no Pedro, e lá fomos nós. Claro que o tempo ainda não está bom para a deixar brincar na água, mas ela adora andar na praia a apanhar qualquer coisa. Hoje, à falta de conchas, foram pedrinhas e pauzinhos. 





Recomendo este sitio a qualquer pessoa. Tem uns passadiços fantásticos até São Martinho do Porto, dá para fazer exercício e desfrutar da natureza, no meio das dunas. 

Eu fiquei encantada com o local, e agora que moro mesmo aqui ao pé não vou dispensar vir para cá com as minhas 2 pequenas assim que o tempo estiver melhor!

Beijinhos

Meio para atingir o fim.





Que fique claro: eu não gosto de estar grávida. Quando me perguntam se a gravidez foi desejada eu digo que não. A gravidez é uma coisa necessária para ter filhos. E é assim que a vejo: um meio para atingir um fim. Se me fosse dada a opção de ser eu ou o meu marido a passar por todo este processo, eu não hesitava. Não sei é se algum homem iria achar piada a isto. 


Se considero um milagre? Sim. É a única coisa na vida que vejo desta maneira. Gerar um ser há-de ser o maior milagre da vida de um ser humano. E são as mulheres que são geradoras de vida. Já pensaram no que o nosso corpo passa para se adaptar a uma nova vida que cresce dentro de nós? Eu penso nisso todos os dias. Eu consigo gerar uma vida. Claro que isto já foi analisado por todos, inclusive por mim...

Quando me perguntam se a Maria foi planeada, eu digo que sim. Parece um contra-senso. Como se pode desejar um bebé e não desejar a gravidez? E eu nem sou das que passa pior na gravidez...ando aqui às 38 semanas e uns dias apenas com o desconforto que ter uma bebé de 3 kgs no ventre causa. Tirando isso, nunca precisei de estar acamada, e ainda consigo pegar na minha filha de 12 kgs ao colo. Passo os 3 primeiros meses a vomitar, o que também é normal. Passo os outros 6 meses a vomitar de vez em quando, o que é menos normal, mas só causa incómodo! Nada de muito preocupante para a bebé. Portanto, nem devia queixar-me da gravidez. Mas queixo.

Existem mulheres que adoram estar grávidas, e eu invejo-as! Dizem que é o melhor tempo da vida delas, e eu invejo-as. Certamente seria mais fácil se eu gostasse de estar grávida. Adoro ser mãe...e ser mãe de duas meninas será certamente melhor que ser mãe de uma. Algumas pessoas dizem-me que eu não sei o que me espera, para a deixar cá dentro (como se isso fosse uma escolha minha), que assim não preciso de me preocupar com ela. Enganam-se. Eu preocupo-me com a minha filha desde antes de engravidar, porque há toda uma série de coisinhas que tenho de fazer! A minha gravidez não é normal, é de risco...risco para mim e para a minha filha.  Portanto é uma gravidez chata. 

Mas eu nem devia queixar-me, porque há tantas gravidezes piores e há aquelas mulheres que nem conseguem engravidar. E eu nem sei como seria se isso acontecesse comigo!

Beijinhos.

março 12, 2016

A nossa tarde.

Hoje fomos até São Martinho do Porto. O dia estava excelente. Fomos as três: mãe, filha e neta. Adoro estes programas...ficou a faltar a minha irmã, a "Ti" da Leonor.

A Leonor adora praia, e se a minha mãe lhe largasse a mão um bocadinho, lá ia ela em direcção à água. Andaram a apanhar conchas, a Leonor jogou à bola com outros meninos. É bom de ver a cara de felicidade da minha filha em dias como estes. 






Pode parecer que eu vesti muito a minha filha para ir passear à praia...mas é que faz um vento danado nas praias do Oeste!

Eu, de tão redondinha que estou, preferi ficar sentada na praia a registar este momento!


Beijinhos

10 coisas que odeio na gravidez.



1- Não poder comer sushi.

2- Não ser imune a toxoplasmose.

3-Não poder beber mais que 2 cafés por dia.

4- Não poder beber coca-cola.

5-Fazer análises muitas vezes.

6-Engordar.

7- Não caber nas minhas calças favoritas.

8- Não poder beber um copo de vinho nos jantares de amigos.

9- Sentir-me feia.

10- Levar injecções diárias.


Beijinhos


março 11, 2016

março 10, 2016

Gravidez.





No início desta gravidez perguntava-me se iria ser capaz de fazer as coisas que estava habituada a fazer com a Leonor. Se aos 8 meses de gravidez ainda seria capaz de a agarrar ao colo. Perguntei a toda a gente, para ser franca. Os médicos diziam-me que sim, que não fazia mal, que uma mãe é capaz de tudo. Eu não acreditei. Só me imaginava redonda a não ser capaz de me levantar da cama sozinha...quanto mais pegar numa bebé de 19 meses ao colo. Mas o meu corpo está sempre a surpreender-me. A 15 dias do parto sou capaz de pegar nela ao colo, e de fazer tudo o que era capaz de fazer a 1 mês de gravidez. 


Outra aprendizagem: uma mãe é sempre capaz de pegar num filho ao colo. Mesmo a 15 dias do parto. Mesmo com um bebé de 3 kgs no ventre. E mais...vou ser capaz de pegar nas 2. Nenhuma há-de chorar por falta de colo. Diziam-me para a colocar num infantário, que quando tivesse grávida de 6 meses não ia ser capaz, não iria ter a mesma disponibilidade e bla bla bla.



Na verdade, penso que não há nada que uma mãe não seja capaz de fazer por um filho.



Mas eu tinha medo. Eu tinha medo de tanta coisa. Eu até tinha medo da hipótese da placenta se deslocar e eu ter de ficar acamada o resto da gravidez. E depois?! O que raio ia eu fazer, se passo os dias sozinha com a Leonor?


Fui parva, eu sei. Sofro por antecipação. Disparate enorme. Correu tudo bem. E eu tenho a certeza que também vai correr nestes 15 dias que faltam. Ainda que me doa tudo no meu corpo, pelo esforço que ele faz para conseguir tirar a Leonor do berço, para conseguir acompanhar a Leonor na sua (muita) actividade diária. 

Tudo se faz, é preciso é haver vontade.

Tenho e terei sempre toda a disponibilidade do mundo para as minhas filhas!

março 09, 2016

Os filhos das mães.


A maioria das mães faz pelos filhos o que acha melhor para eles.

É assim em quase todas as casas. É assim quando os deixam, muito pequeninos, comer doces. É assim quando os deixam ver televisão aos 3 meses de idade. É assim quando os deixam deitar-se tarde para não os ouvir chorar. É assim quando vão dormir com eles, na esperança de assim demonstrarem melhor o amor que têm por eles. É assim quando fazem qualquer coisa descabida pelos filhos. 

Pois bem, se fossem estes os parâmetros para decidir que mãe gosta mais dos filhos, então eu estaria muito cá em baixo na lista: 
1- A minha filha nunca comeu um doce (come o açúcar que vem nas bolachas, e nas papas, e eu já me sinto a desfalecer cada vez que isso acontece...abençoada Bimby que veio diminuir esta minha ansiedade!)
2- A minha filha até aos 18 meses nunca tinha visto televisão. (Começou a ver aos 18 meses, 15 minutos por dia)
3-A minha filha às 8 da noite vai para a cama.
4- Nunca dormi com a minha filha (nem eu, nem o pai.) 

Acho (mesmo) que deve haver limites (para tudo). Dar açúcar a uma criança é o mesmo que dar uma faca para as suas mãos, ainda que os danos não sejam logo visíveis. Deixá-los ver televisão, desde tão tenra idade, para além de ser prejudicial para o desenvolvimento da visão, ainda atrasa a comunicação. Deixá-los ficar acordados até tarde prejudica a aprendizagem e as horas de sono que todos os bebés têm de ter. Dormir com eles, para além de ser perigoso (mesmo a nível da vida!), é o pior erro que se pode fazer. Nunca ouviram dizer que eles aprendem depressa?! E depois estão a tirar o lugar ao pai (normalmente é este o caso) e sentem-se com o rei na barriga!

Já ouvi muitas vezes dizer que um bocadinho de leite creme não fazia mal, que deixá-la ver tv só fazia era bem, que eu não devo gostar assim tanto da minha filha por não a deixar ficar acordada até mais tarde.

Disparates.

Comecei este post a dizer que a maioria das mães faz o que acha melhor para os seus filhos, e eu quando vejo um bebé de 1 ano a comer um Sundae não chego lá e digo que estão a fazer mal. Porque a premissa é exactamente esta...Nenhuma mãe quer o mal dos filhos e tudo o que uma mãe faz é para bem deles. 

Talvez fosse importante começar a rever a forma como educamos os nossos filhos. É claro que eu faço coisas mal feitas. Todas as mães fazem. Mas tento evitar ao máximo estes "problemas". Eu não acredito no: "Foi Deus que a mandou assim", portanto quando me dizem que a minha filha dorme bem porque "veio assim" eu vou aos arames. Eu impus regras logo de muito pequena, e considero que isso tem toda a importância.

As rotinas são tão importantes! Não me canso de dizer isto. As crianças precisam delas, precisam de dar algum sentido à vida, que de outra maneira não o tem.

As crianças de hoje, são os adultos de amanhã...e...de pequenino se torce o pepino.


Beijinhos.

Óbidos

Óbidos é uma vila que me encanta. 

É uma das coisas favoráveis de me ter mudado para as Caldas da Rainha...tenho Óbidos mesmo aqui ao lado!

Eu adoro livros, e os livros fazem parte integrante da vila. Há igrejas-livrarias, mercearias-livrarias...
Passou a ser uma Vila literária.

Como é uma vila entre muralhas, tem um aspecto mágico que nos faz recuar no tempo. O facto de ser dentro de muralhas dá um aspecto romântico à vila e dá uma pinta medieval.

Todas as lojas são pitorescas...do mais tradicional possível!

A Leonor é muito bem-disposta e mete-se com toda a gente, e uma senhora que estava a vender artesanato deu-lhe uma espada dos templários. Claro que ainda é muito pequenina para brincar com espadas mas foi um gesto agradável.

Pena só mesmo ter de pagar para ir à vila. O parque de estacionamento mais próximo é pago, e para quem tem bebés, torna-se impensável deixar o carro num parque mais distante e fazer um percurso enorme a pé.




É um local onde consigo abstrair-me de tudo!










Beijinhos

março 08, 2016

8 de Março

Hoje é dia da Mulher. 

Hoje faz 12 anos que a minha mãe passou pela maior aflição que uma mãe pode passar. É preciso ser mãe para conseguir dar valor a tudo o que a minha mãe passou. Pior dor que aquela só a da morte de um filho. 

Hoje faz 12 anos que eu tive um Avc. 

Mas não pensem que vivo agarrada a essa memória, ou que a minha vida é triste e ando sempre deprimida. Este dia era o único que me deixava triste, em que toda a recordação daquele dia vinha. Agora já nem isso. A Leonor já não deixa, e eu sinto-me sortuda por me ter sido dada a oportunidade de ser mãe.


Vejo tanta gente sem dar valor à vida, que faz tanto disparate, que não tem noção de que estas coisas acontecem, que me sinto felizarda por já me ter apercebido do que é a vida. Melhorei muito enquanto pessoa e não sei se não tivesse tido um Avc tão cedo me tinha apercebido que havia tanto para melhorar!



Levei 11 anos a achar que o maior sofrimento tinha sido o meu. Mas não. Uma mãe sofre mais em situações como esta...sem saber se um filho vai sair com vida da cama de um hospital. Todos os anos a minha mãe faz questão de juntar a família para celebrar este dia. Eu nunca percebi muito bem o que havia a celebrar, mas agora entendo.



Ser mãe ensina muita coisa. Quantas vezes não chorei eu no colo da minha mãe a achar que era injusto o que me tinha acontecido, sem saber que a dor dela era muito maior que a minha? Quantas vezes não julguei eu que aquele dia tinha sido o pior da minha vida, sem saber o que uma mãe dava para conseguir trocar de posição com um filho naquela situação? Ser mãe ensina acima de tudo o que é viver sempre com o coração fora do peito.

Toda a família sofre. Mas a minha mãe sofreu com um sorriso nos lábios. 

Como eu espero nunca passar por uma situação dessas com as minhas filhas.

Beijinhos para a minha mãe.

Beijinhos




março 07, 2016

Blogs Portugueses.

Eu sou uma seguidora assídua de alguns blogs, portugueses e estrangeiros. Perco-me a invejar os looks e as maquilhagens e por aí adiante. 


"Miúdas" giras e cheias de pinta!

Adorava ter um blog assim, mas confesso que não tenho muita paciência para me arranjar da maneira que elas se arranjam todos os dias e para andar sempre com um fotógrafo atrás. E depois ainda tenho uma filha, prestes a ter duas, que me ocupam todo o tempo e trocar o tempo que passo com a Leonor por um blog "fashion" parece-me parvo!

Aqui ficam alguns que eu acompanho diariamente: 













Espreitem e vejam por vocês próprias se não têm looks de perder a cabeça!


Beijinhos





Os filhos dos outros.




Preocupa-me as crianças que não são felizes. Não sei se a minha vai ser sempre feliz, mas eu prometo perante todos a esforçar-me por isso. E ser feliz não é ter alguém que lhes faça as vontades todas. Ser feliz é muito mais que isso. Ser feliz é conseguir estar no silêncio a ler. É conseguir ficar sozinha no quarto a brincar. É não precisar que eu esteja sempre lá. É cantar sempre que se ouve uma música gira. É dançar. É levar as mãos acima da cabeça de cada vez que se vê alguém de quem se gosta. É chorar quando tem de ser. Ser feliz não é ser mimada. Ser feliz não é ser caprichosa. Ser feliz é ser educada. Ser feliz é isto tudo e mais um par de coisas.

Eu fui feliz na maior parte da minha vida, e mesmo nos momentos mais tristes, tive a certeza de um amor maior e isso é das coisas mais felizes que existem. Quero que as minhas filhas também tenham esta certeza. Quero que quando a vida lhes correr mal (e irá correr algumas vezes, pois se for de outra maneira não se pode chamar vida) saibam que têm um colo (ou vários...eu tive vários) e que este colo as sustenta enquanto elas precisarem. Preocupa-me as crianças que não têm colo...

Custa-me (imensamente) ver filhos que não têm este colo. Que nem sequer têm as necessidades básicas asseguradas, quanto mais as necessidades emocionais. Mas eu estou a falar de outro tipo de necessidades...aquelas que dão segurança para crescer e se tornar uma pessoa feliz. 

Se soubessem (nem eu sei) o número de crianças infelizes...crianças sem afecto...crianças sem colo...crianças sem abraços...crianças sem sorrisos...crianças sem amor...e isto não é válido para pessoas que não têm dinheiro para comprar roupas caras nem ténis de marca...existem tantas pessoas com dinheiro para isto tudo, mas que não têm dinheiro para o resto...porque o resto não se compra...há tantos filhos sem pais...mesmo os que os têm...

Há pais exigentes de mais, pais exigentes de menos, pais que não exigem nada, pais que não deixam os filhos ter vontade própria, pais que querem que os filhos sejam médicos (ou advogados, ou outra coisa qualquer...). E os filhos destes pais não serão, seguramente, felizes. Pais assim-assim, pais desleixados, pais a quem importa mais a imagem, pais para quem a opinião dos filhos não conta. Filhos que crescem à sombra das vontades dos pais, esquecendo das deles próprios. Pais que têm filhos mas não se dão conta de os ter.

Se algum dia a minha filha tiver uns pais assim...então quero que me digam. A minha mãe, a minha sogra, a minha irmã, o meu cunhado...alguém na rua...mas por favor não fiquem calados...porque estão a ser cúmplices da destruição de um ser!

Filhos que crescem sem ninguém dar conta. São esses filhos que me preocupam. Mas verdade seja dita, não há muito que eu possa fazer, porque em cada casa mandam as pessoas que lá vivem, e até há aqueles pais que fazem isto tudo e julgam estar a fazer bem.

Beijinhos

março 06, 2016

O mágico.

Sempre fora conhecido assim: o mágico. Mas o nome dele era Manuel, e tinha 14 anos. 

Mágico a jogar futebol. Conseguia sempre levar a bola à baliza. Não interessava quantos jogadores tinha de ultrapassar, quantos centrais deixava para trás e a quantos trincos escapava. Quando a bola chegava aos pés dele, fazia magia. Às vezes nem ele sabia como. Tinha um dom, diziam. Chegaria longe, diziam. Manuel só queria continuar a jogar à bola, não importava o quão longe iria chegar.

O pai, sportinguista ferrenho, sonhava com a entrada do filho nas escolas do Sporting em Alcochete. Sonhava com o dia em que o filho seria o próximo Cristiano Ronaldo, ainda que Manuel fosse ponta de lança. Vibrava como ninguém ao ver a magia nos pés do filho. A mãe, por seu lado, uma benfiquista que já vibrara muito com os jogos do Benfica, sonhava com o dia em que o filho se tornaria a sensação no clube da Luz. 

Manuel sonhava em jogar à bola para o resto da vida. Era um ponta de lança sem as características de um. Marcava mais golos do que ninguém. Já tinha 4 taças de melhor marcador da Associação de Futebol de Santarém, e quem o via jogar não dizia que ele tinha 14 anos. Parecia um jogador profissional, tal era a concentração com que entrava sempre em campo. 

Um ponta-de-lança, habitualmente, é o jogador que recebe a função de marcar os golos. E isso o Manuel fazia. A única diferença é que ele ia buscar jogo (era assim que se dizia na gíria), ou seja, fugia ao estereótipo de jogador que não se movimenta muito. O seu jogador favorito era o Cardozo misturado com o Cristiano Ronaldo. Embora Manuel tudo fizesse ao contrário de Cardozo, era ele a sua inspiração para marcar golos. O Cristiano era a sua inspiração na dedicação.

Relembrava as palavras do avô sempre que ía para um jogo, e esforçava-se ainda mais por isso. O avô tinha partido havia 1 ano. A mãe nunca lhe tinha dito porquê, mas ele sabia. Sabia que o coração tinha falhado. Reconhecia no avô um cansaço crescente nos seus últimos tempos de vida. Tinha sido em casa dos avós que tinha crescido. A maior parte dos valores que lhe tinham passado, tinha sido em casa dos avós. Era o avô que o acompanhava aos treinos, até à data da sua partida. Aliás, na véspera da sua morte fora ele que o acompanhara. Tinha falecido a uma sexta-feira, num dia que Manuel nunca mais iria esquecer pela tristeza que lhe trazia. Mesmo assim, no dia a seguir, foi jogar, como o Cristiano Ronaldo tinha feito no dia em que o seu pai morreu. Marcou 4 golos e tinha sido eleito o melhor jogador em campo. "O meu avô deve estar orgulhoso", era o que Manuel pensava. 

Tinha 2 irmãs que iam sempre ver os jogos dele, juntamente com os pais. A mãe chorava a cada golo e o pai só esperava que um dia algum olheiro reparasse no Manuel, o seu prodígio. Ao Sábado o dia era reservado para o Manuel e a família ía para todo o lado que ele fosse. Tinha uma claque feminina muito grande, mas Manuel não queria saber de namoros. Só tinha tempo para estudar e para o futebol. A mãe sempre lhe dissera que o futebol estava dependente da escola, e por isso ele era o melhor aluno da turma. 

Por isso lhe chamavam mágico. Porque Manuel sempre fora buscar forças às fraquezas! Queria ser sempre melhor. A família era para ele, sem dúvida, o seu pilar. A união da família dava-lhe a força para ser o jogador que era, o mágico.

 Beijinhos